Fazia calor, nada mais natural nessa cidade tão quente. Eu suava, mas também estava com frio. Percebi também que estava na cama. Tentei levantar, correr, sentir o vento. Nada se movia. Eu podia ver a luz da cozinha acesa daqui, mas não podia me virar para sair daqui. Será que eu estava morrendo? Será que é assim quando se está para morrer? Um desespero tomou conta de mim. Será que eu já estou morto!? Se for assim é muito ruim. Pensava que quando se morria não sentia nada. Parece que estava enganado, não? Eu não deveria morrer agora, tinha tantas coisas que eu deveria fazer antes de morrer. Eu queria ter ido falar com aquela garota. Tem aquela outra que conheci na internet e que iria visitar nas próximas férias. Tinha que correr mais algumas vezes na chuva, faz tempo que eu não fazia isso. Eu sempre gostei do frio, agora estou aqui: um cadáver frio no meio de uma noite escaldante. Se eu soubesse que era tão quente iria escrever para que colocassem um ar condicionado no meu caixão. Talvez esteja em coma. Talvez esteja sonhando. Um vento bom entrou pela janela, não sei quanto tempo se passou, mas sei que começou a chover. Os respingos da chuva entrando pela janela molharam meu cabelo. Passei a mão na cabeça, podia me mexer de novo. Saí para correr na chuva. Volto já.
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