Fazia calor, nada mais natural nessa cidade tão quente. Eu suava, mas também estava com frio. Percebi também que estava na cama. Tentei levantar, correr, sentir o vento. Nada se movia. Eu podia ver a luz da cozinha acesa daqui, mas não podia me virar para sair daqui. Será que eu estava morrendo? Será que é assim quando se está para morrer? Um desespero tomou conta de mim. Será que eu já estou morto!? Se for assim é muito ruim. Pensava que quando se morria não sentia nada. Parece que estava enganado, não? Eu não deveria morrer agora, tinha tantas coisas que eu deveria fazer antes de morrer. Eu queria ter ido falar com aquela garota. Tem aquela outra que conheci na internet e que iria visitar nas próximas férias. Tinha que correr mais algumas vezes na chuva, faz tempo que eu não fazia isso. Eu sempre gostei do frio, agora estou aqui: um cadáver frio no meio de uma noite escaldante. Se eu soubesse que era tão quente iria escrever para que colocassem um ar condicionado no meu caixão. Talvez esteja em coma. Talvez esteja sonhando. Um vento bom entrou pela janela, não sei quanto tempo se passou, mas sei que começou a chover. Os respingos da chuva entrando pela janela molharam meu cabelo. Passei a mão na cabeça, podia me mexer de novo. Saí para correr na chuva. Volto já.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
sábado, 17 de outubro de 2009
Cansei.
Cansei. Diz ae, quem nunca escutou isso de alguém? Todo mundo fala que cansou. Que cansou da escola. Que cansou do trabalho. Que cansou de ter que comprar as coisas. Que cansou de tudo. Minha mãe sempre falava que tava cansada de comer! “Pra que comer todo dia?” dizia ela. Ninguém nunca se cansa de cansar? Se você cansasse menos e fizesse mais cansaria menos, pense nisso hoje. Tô ficando cansado de escrever esse texto. A idéia inicial se desvirtuou, mudei minhas idéias no meio do texto e ele acaba aqui. Cansei.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Tô Vivo!
Texto que escrevi, que me deu a idéia de criar um blog. Eu tô vivo, o blog tá vivo, espero que você esteja.
Vamos a ele:
Ia chover. Eu sabia. O céu tava vermelho. Começou a ventar. Tava escrito no nick de alguém no msn : “Manhê, o céu vai cair!”. Fui almoçar. Almoço em família sabe? Éramos eu, mamãe, meu irmão e mais três senhoras daqui perto que vieram comer aqui. Vento. Muito vento. E eu lá na cozinha comendo. O vento parecia diferente hoje. Parecia gelado, refrescante e úmido. Se eu pudesse beber o vento tenho certeza que nunca mais quereria beber nada mais. Começou a pingar, fui fechar a janela da sala. Sai pro quintal e fiquei lá debaixo do céu vermelho que pingava água. Os pingos geladinhos em contato com o meu corpo, o vento lá ventando, e eu parado. Eu tava VIVO! Foi esse sentimento que me deu. Uma vivência diferente das outras. Era uma vivência úmida. Entrei e continuei a comer. Eu queria voltar pra debaixo do meu cobertor vemelho que pingava. Mas não era lá coisa de se fazer né? Deixar todo mundo na mesa e ir ficar debaixo da chuva. Então lembrei que não tinha fechado a janela da sala e fui fechar.
Chegando lá coloquei a cabeça pra fora da janela. Agora não eram mais só pinguinhos do céu, agora era uma chuva mesmo. E eu lá com a cabeça pra fora da janela, sem me molhar, porque chovia com um ângulo que não me molhava. Foi mais impressionante que antes. Agora eu era a chuva! Era eu quem tava chovendo ali. Era eu. Eu tava lá no meio da chuva, sentindo tudo aquilo mais forte. Mais úmido. Mais refrescante. Mais tudo. E não me molhava! Foi tão mágico mágico. Fiquei perdido nesse estado de transe até meu irmão me acordar com um chute
Vamos a ele:
Tô vivo!
Ia chover. Eu sabia. O céu tava vermelho. Começou a ventar. Tava escrito no nick de alguém no msn : “Manhê, o céu vai cair!”. Fui almoçar. Almoço em família sabe? Éramos eu, mamãe, meu irmão e mais três senhoras daqui perto que vieram comer aqui. Vento. Muito vento. E eu lá na cozinha comendo. O vento parecia diferente hoje. Parecia gelado, refrescante e úmido. Se eu pudesse beber o vento tenho certeza que nunca mais quereria beber nada mais. Começou a pingar, fui fechar a janela da sala. Sai pro quintal e fiquei lá debaixo do céu vermelho que pingava água. Os pingos geladinhos em contato com o meu corpo, o vento lá ventando, e eu parado. Eu tava VIVO! Foi esse sentimento que me deu. Uma vivência diferente das outras. Era uma vivência úmida. Entrei e continuei a comer. Eu queria voltar pra debaixo do meu cobertor vemelho que pingava. Mas não era lá coisa de se fazer né? Deixar todo mundo na mesa e ir ficar debaixo da chuva. Então lembrei que não tinha fechado a janela da sala e fui fechar.
Chegando lá coloquei a cabeça pra fora da janela. Agora não eram mais só pinguinhos do céu, agora era uma chuva mesmo. E eu lá com a cabeça pra fora da janela, sem me molhar, porque chovia com um ângulo que não me molhava. Foi mais impressionante que antes. Agora eu era a chuva! Era eu quem tava chovendo ali. Era eu. Eu tava lá no meio da chuva, sentindo tudo aquilo mais forte. Mais úmido. Mais refrescante. Mais tudo. E não me molhava! Foi tão mágico mágico. Fiquei perdido nesse estado de transe até meu irmão me acordar com um chute
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